Mostrar mensagens com a etiqueta Histórias. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Histórias. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Sinto...

Sinto que estou velho. Sinto-me velho.
Sinto-me cansado. Sinto que perdi muita coisa.
Sinto que o que perdi, já não voltará.
Porque perdi o tempo com muita coisa sem sentido.
O pouco que não perdi, esse não o renego.
Fez sentido nessa altura. Nesse tempo.
Sinto que podia ser mais do que aquilo que sou,
E não sou porque não quis. Simplesmente, porque não quis.
Queria saber que o que digo era uma mentira, uma breve ilusão.
Mas sabe tanto a verdade, que até parece mentira a verdade.
Queria tanto saber que um exemplo é um exemplo pelo tempo e por tudo o que faz
que me perco sem saber que caminho percorrer. Se o meu ou outro qualquer planeado.
É díficil não é?
Para mim, é.
Do que vale a pena chorar sem derramar uma lágrima
se o que mais gosto é de lutar a chorar.
Sinto que é assim que vale a pena.
Não é?
Para mim, é.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Todos Juntos...

Fomos à Discoteca mais "in" da altura, "AlterNative" era o nome. Um Dj com boa pinta, musculado e sorriso Trident, brinquinho à Cristiano Ronaldo como se fosse moda, normal, e mais do que usual. Odeio e faz-me impressão. Mas isso, sou eu. Cheio. Não se podia respirar, nem usar muito os braços ou as pernas para dançar, quanto muito, dois pulinhos aqui, dois pulinhos ali, e já era muito. Era "in", porque era novo, moderno, e muito...mais animado que os outros, poucos, que ainda temos. Bêbados, jovens de borbulhas, Quarentões, Trintonas, Solteiros e Casados tudo ao molhe e fé em quem conseguir se safar. É o que mais reinava por aquelas bandas. Um bar cheio deles e delas, de mulheres à procura de uma noite de loucura e de homem ávidos de 15 minutos numa casa de banho, trancados com alguma mulher, desesperada por alguém que lhe apaga-se o fogo que a consumia. Breve inferno tornado em Céu. 5 minutos. Bastaram 5 minutos para que a vontade carnal se transforma-se em arrependimento e lágrimas. Um homem feliz, uma mulher perdida em desejo, e depois o arrependimento. Moral: Nunca faças nada, numa casa de banho de uma Discoteca, são imundas.
... (Termino amanhã...)

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

À Noite...

(Continuação de "Nas Escadas...")

Fui buscar-te a casa, como sempre. Saímos, para ir beber um café. Tu, bem produzida, filha da beleza, ou dos meus olhos que assim te vêem. De mãos dadas, conversámos sobre tudo, sobre nada. Entrámos no café, que já nos habituámos a ir, não sei bem porquê, não sei bem como. Vamos, porque é o mais perto e onde mais gente vai, casais, como nós, à procura de um conforto no perfume de um café, ou nas faces dos outros, assim, como nós, enamorados. "Será?" Penso eu, para mim.
Trocámos olhares e beijos, beijos e olhares. - "Boa noite, café?", pergunta o rapaz do café que sempre nos atende. -"Sim, se faz favor. São dois." - "Mas hoje, apetece-me um chá...um chá de camomila. Pode ser?", disse ela.
-"Então é um café, e um chá de camomila.", certifica-se o rapaz do pedido.
-"Exactamente.", respondi eu.

Café tomado, chá bebido, fomos a pé até à tua casa. Da tua casa, fomos para o carro, estava um frio de rachar na rua, que nem o calor que emanava das nossas mãos, quebrava o frio do vento de Inverno. Fomos passear, até ao bar mesmo ao pé da casa da Margarida. A Margarida era uma amiga comum. Loira, de corpo escultural, olhos verdes penetrantes e lábios que pediam a um comum mortal, violar o desejo de um deus qualquer. Já ela estava à nossa espera à porta da casa dela. Fomos ter com o
Tiago, namorado dela, amante dos desportos radicais, fanático do Benfica, mas "aquele Nuno Gomes...é que não!", diz ele sempre que o Benfica está a perder.
Todos juntos dentro do carro, falamos do azar do Benfica e da azelhice do Sporting, da sorte do Porto e do Queiróz ser uma uva já mais do que espremida na Selecção.
Elas, claro, reviram e reviram os olhos com as "nossas" conversas. -"Não têm mais nada pa falar?" Sempre a mesma coisa. Falem de coisas mais...interessantes." disseste tu. -" Sim, moços. Falem de coisas mais interessantes." Diz a Margarida reforçando a mesma ideia. -"Então falamos do quê?". De gajas??". Não dá muito jeito falarmos de gajas estando vocês aqui né!" digo eu, meio a brincar.
-"Não, né! Mas podiam falar de outras coisas, que não fosse futebol ou gajas". Diz a Margarida já um bocado aborrecida com a conversa. -"Epa, pronto...falamos do "Barraca Ó bama", diz ele a tentar suavizar o ambiente.
Chegámos ao destino: Bar. Fomos até ao bar do Filipe, e está lá a malta toda. Eles e elas. Já todos com o seu copito na mão e é uma festa quando nos vêem a chegar. (Não preciso de dizer que quando a M. chegou, toda a gente ficou de olhos arregalados. Até houve piropos, elogiando os atributos...físicos). -"Guidinha, foste hoje ao ginásio?". Pergunta o Daniel, muito sério.-" Não, porquê?", responde ela, perplexa.
-" É que tens cá uma peitaça...!" diz ele, já se rindo da resposta que deu e de toda a gente que tinha à volta dele a rir também da maneira cómica como fez a pergunta, e da resposta que obteve. Um valente chapadão.
Não sei bem se tinha pena, ou me ria do que ali se tinha passado...
Dali, a uns copos de Licor Beirão, fomos para a Discoteca. A noite, prometia.

domingo, 2 de novembro de 2008

Nas escadas...

Fiquei à espera, nas escadas do teu prédio que viesses.
A noite estava fria. Como sempre é no Inverno alentejano. Estavas cansada, vinda do trabalho, mas continuavas linda. Olhos semi-cerrados, boca pequena sorridente, corpo cuidado, mãos bem tratadas. Vaidosa.
Vi-te através do vidro do prédio e um sorriso meio forçado saiu. Não quis perguntar porquê, aceitei o beijo que vinha depois, um afago no rosto e uma "boa noite", veio de seguida. Contaste-me o teu dia, os clientes que tinhas aturado, os trocos que não tinhas ou as "boas tardes" que ninguém te dava.
- "É o teu trabalho, é isso que tens de aturar. Não é fácil, mas se precisas de dinheiro é assim que tem de ser".
Sentada o dia inteiro. No mesmo local, a ver o dia a passar, a noite a vir, mil caras a passar sem um "bom dia" para dar, sem uma "boa noite" para oferecer.
Sentámo-nos à porta da tua casa, nas escadas do teu prédio, foram dos melhores 15 minutos que se podem ter. Colados por causa do frio. Lábios beijando outros lábios, dois narizes que se encontram, cheiros que se misturam. É o perfume dos teus cabelos ou o sabor da tua boca.
Olhos levemente fechados. Repetimos várias vezes a mesma poesia ao beijar.
Um breve "até já". Depois de jantar, talvez um café.
- "Se não tiveres cansada, vejo-te nas escadas". - "Beijo".

(To be continue...)

domingo, 19 de outubro de 2008

Um dia na cidade...

Há histórias que contadas, ninguém acredita.
Já vinha a sair de um lache bem regado quando na rua por onde seguia, o dia ia acabar por ter contornos bem diferentes do final de um dia-a-dia que tantas vezes lhe vi o rosto, os sinais de cansaço de uma cidade onde a velhice é permanente e os momentos de jovialidade já são poucos. Não esperava que de um momento para o outro, o dia se transformasse totalmente. Munido de mp3, de olhos postos na rua e no tempo que fazia, completamente deslocado para outro mundo, o mundo dos sons, fosse interrompido para um outro mais real. Um homem atravessa-se à minha frente, correndo que nem um louco e uma mulher, uma senhora, já com os seus 65 anos, mais coisa menos coisa. "Apanhe-o que é ladrão!" gritou-me ela. "Levou-me a carteira com as chaves de casa". E eu, pensei para comigo, "E agora? Tenho de ir atrás dele?". Num instante, o mp3 foi p'ró bolso das calças, e toca a correr mais rápido que uma bala, mais rápido que um sprint do Cristiano Ronaldo, e corri o mais que pude para o apanhar. Apanhei-o. Estafado, suando, irritado, e isto tudo por causa de uma carteira com uma meia dúzia de notas e umas chaves de casa. Um pobre coitado. Levou com uma sova moral monumental, que nem as pessoas que foram comigo, também para o apanhar, disseram alguma coisa.
Revistei-o, levei-o à "vítima" para lhe pedir desculpa, chamaram as autoridades e logo desapareci. O assunto estava encerrado. O lanche já tinha desaparecido, o corpo a pedir descanso e um banho. A fome, apareceu. De novo.

P.S. - Soube há pouco tempo que tinha passado a noite na esquadra. No dia seguinte, foi presente a tribunal, e o juíz libertou-o. Está a termo de identidade e residência.
Ainda não o vi, nem espero vê-lo tão cedo. Mas...cá estarei. E ele, também.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Da Ponte...

Quando olho da ponte para a frente, lembro-me de ti. Lembro-me dos beijos que trocámos cumplicemente, dos afectos tornados únicos, das bocas desejando que o tempo parasse, e que aquele momento se eternizasse para toda a vida. Lembro-me, como se fosse hoje. Lembro-me porque não tiro da frente a fotografia que tirámos juntos nesse dia. Quis o dia acabar mais cedo, a noite mais cerrada. Quis as horas serem dias, os dias em anos. A fotografia nunca a tirei. Quis tirar tudo de mim o quanto de ti havia. Mas nem tudo consegui tirar. Esta lembrança, não consigo.
Queria poder tirar, saber tirar, mas não consigo. Não sei se consigo.
O tempo é tão relativo, para uns são apenas dias, para outros nem isso…
Para mim, tu já me conheces, levo sempre muito tempo, demasiado tempo, tu sabes.
Não é fácil esquecer quem amamos, como eu te amei dessa ponte, nesse encontro…o último antes do fim…
Só cometi um erro, apenas um. Fatal.Ter-te beijado, ter gostado, e ter querido mais.
Ter caído no teu doce veneno, vivendo amarrado a ti, como uma aranha amarra uma presa. Enleado nas teias, sem se preocupar com o futuro. Mas juro, juro que não me preocupava. Vivia do amor que por ti sentia.
Sempre que olho da ponte, lembro-me desse dia. Dos teus beijos, das tuas carícias, do teu cheiro, da tua pele, dos teus cabelos, do teu sorriso…
De tudo a que a ti pertencia.
Tinha te beijado nessa mesma ponte, num final de tarde. O sol já raiava.
Beijei-te e beijei-te o quanto pude, enquanto o sol me deixou, enquanto a noite não chegava. Enquanto não partias.
Nunca mais me esqueci. Abraçaste-me tão intensamente, que ainda hoje me recordo.
Foste a única mulher, que amei em cima de uma ponte.

Dedicado a uma amiga, a quem tinha prometido uma prosa.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Na Taberna...


foto: João Espinho

Pouso o cigarro, bebo o copo de vinho, cheio, de um só gole. “Aaaaaaah!!” Abro bem os olhos, para mais um dia de labor, mais um dia de exaustão. Acendo mais um cigarro, um dos poucos que ainda resta no bolso da camisa. “Rico SG ventil”, digo eu. Ao fundo oiço mais um relato da boca do rádio na taberna. O benfica perdeu. “Já não é como antigamente”. Penso na vida, no dinheiro que não me chega, na mulher que não se pode levantar, nem fazer as forças que fazia quando era moça. Hoje, já não tem as forças que tinha. As varizes, são montanhas, que antes foram planicies. Belas aquelas pernas, foram com elas que casei, já fazem…fizeram 51 ou 2 primaveras, a idade já não perdoa a memória. O Chico da Taberna, diz que o Porto infelizmente foi melhor, o Zé da Maria Amália, vizinho das redondezas, diz que o Sporting foi roubado. Nem ligo ao que dizem, o que mais me importa é se ganham ou se perdem. Eu quero é saber como é que vou ganhar dinheiro para comer, hoje e depois de amanhã. Passo pelas gordas, nos jornais diários, que estão na bancada da taberna e vou pró trabalho, que o sol já acordou, e o País…ainda dorme.
in: Praça da República em Beja

foto: João Espinho

Os rostos cansados, dos velhos, que já foram jovens, lembram-se lá ao longe dos sonhos que tiveram e não realizaram nem metade deles. Rostos cansados, dos dias solarengos, das noites ao relento, do vinho que beberam, das noites de folia, dos bailaricos, e de namorarem à janela das suas cachopas. Rostos cansados de tantos anos a fazer o mesmo, sempre o mesmo.
Levantar, passear pelos campos os animais, entreterem-se com as brincadeiras dos cães que ainda guardam as poucas ovelhas que ainda têm, que o tempo hoje não é para pastores, é para os computadores. Já nada é como antigamente. Deitam-se, os ossos já rangem, os comprimidos, se é que têm dinheiro para os ter, tomam, para descansarem. Rostos cansados, mas cheios de sabedoria e experiência da(e) vida. Isso ninguém lhes tira. Rostos cansados, mas cheios de histórias para contar, de coisas que eu já não sei o que são, de coisas que nunca ouvi falar, de coisas que só estão na minha imaginação, porque nunca as vivi. Rostos cansados que nos lembram que temos um passado, de vivermos o presente, para depois, contarmos ao futuro, como eles a nós, o passado. De rostos cansados…

in: Praça da República em Beja

quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

No Ano Novo...

Neste Novo Ano que aí vem, cheio de promessas, e de alegrias. Cheio de tristezas, humanas, dramáticas, e intensas. Um Ano Novo com novas causas humanitárias, naturais do nosso mundo, deste mundo para ajudar um outro mundo que não sabe o que é a tecnologia, o que é impostos, o que é o significado de alegria, pois veêm todos os dias a desgraça e só a desgraça, por vezes nos colos das mães, a pedir só um pouco mais...de ajuda. Em vez de gastar dinheiro em hóteis de luxo, por 2 dias. Balúrdios de dinheiro, que salvariam alguém, são gastos por...Luxúria.
Até lá...lembrem-se disto tudo e muito mais, quando derem o salto para 2007.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

Um conto de Natal...

"Os presépios"

"...Os presépios, antigos, novos, relíquias das avózinhas, ou daqueles mais baratuchos, "chinezadas", dão todos mote a uma época especial; O Natal. Enchem as casas de alegria, e de cor, pois não são só as crianças que fazem o Natal, nós também o fazemos, à nossa maneira. Enfeitando as nossas casas, com velas alusivas ao Natal, ou simplesmente decorando uma árvore (pinheiro) despida, sem "glamour", sem graça, e sem alma. As luzes, os seus diamantes e rubis, esmeraldas belas que a fazem sorrir. Pérolas magníficas! As fitas, decoram-na fazendo-a parecer que trás vestida, um vestido "très chique", qual Christian Dior, ou Armani, a bem dizer...A árvore, está composta. Falta o pó-de-arroz, um pouco de "rouge", o "batôn" e por último os brincos, pormenores.O pó-de-arroz, não é nada mais nada menos que um pouco de neve artificial espalhada pelos miúdos, o "rouge" e o "batôn", é o amor e o carinho com que a árvore foi feita pela família que contribuiu para ser uma árvore tão..."Fashion". Ao enfeitá-la lembram-se sempre dos amigos, dos que vivem, e dos que já partiram. Vivem com esperança no futuro e com saudades do passado. Os brincos, os brincos são as carismáticas bolas, que todos os anos se encontram nas lojas à venda ou no comércio tradicional, ou num shopping qualquer, vazio de calor humano, em troca de consumismo puro e duro. A simpatia, porém de quem lá faz o seu negócio, é presente, sempre nesta altura do ano. Bolas, redondinhas e pequeninas, ou redondas e grandes. De feitios e cores diferentes, com ilustrações ou sem ilustrações, com muitos brilhantes ou vazia.Falta-me um pormenor que me lembrei agora, os anéis. Sim, os anéis, porque senhora que é senhora tem de ter anéis, e uma árvore é uma Senhora!Os anéis, não nada mais que os bonequinhos redondinhos, gostosos e gulosos, a que já há muitos séculos chamamos de "chocolates". Pais Natal, grandes, pequenos, de formas redondas, quadradas, aquilo que houver...são os anéis que os miúdos, quais Robin dos Bosques, desaparecem das àrvores, não para dar aos pobres, mas para dar às "pobres" barrigas gulosas e famintas de um doce. Como são felizes, a criançada. No outro lado do Mundo, onde não há presépio, não há árvore, não há nada...Natal para elas, é quando têm um prato de arroz para comer."

domingo, 17 de dezembro de 2006

Carta a..."Miguel Esteves Cardoso"

País Absurdo

"Somos um país absurdo. Somos portugueses absurdos. Somos porque está na nossa essência, é algo que está dentro de nós, enraizado talvez culturalmente, ou pela sociedade que cultiva essa mesma cultura do “absurdo”. Achei absolutamente delicioso, a entrevista em que o Miguel Esteves Cardoso foi figura central, despertando as mentes portuguesas, que viam a RTP àquela hora, pois sabemos que a maioria dos portugueses gostam mais de ver uma novela com florzinhas e mentirinhas do que uma entrevista interessante de alguém que merece a consideração dos portugueses e intelectuais. Poucos, mas há! Realmente despertei para essa “chamada de atenção”, porque afinal somos um país que vive de absurdos, porque continuam a viver acima das possibilidades, mas depois, como sempre…logo se vê! Continuamos no mesmo disparate de criarmos ilusões acerca de tudo, sobre tudo. De termos sempre razão, mesmo quando não a temos e no final de qualquer discussão, somos sempre os últimos a ter a palavra, mesmo quando já perdemos o direito de a ter. Somos portugueses, ingénuos porque acreditamos nos políticos, somos portugueses que ingenuamente acreditam no amor, mas somos batalhadores nisso, e nisso há que dar a mão à palmatória. Somos românticos inveterados. Somos um país doce. Um país de doces e brandos costumes, de doces prazeres, de doces conversas. Um país de boa comida e que sabe bem receber. Nisso, é verdade.
Somos excelentes anfitriões, dos melhores do mundo, sem dúvida! Somos muito mais que isso, só que vivemos num país absurdo, que por muito que digamos o que está mal, falamos, falamos, falamos, falamos, falamos mas ninguém faz nada! Somos absurdos porque temos sempre soluções para os outros, mas nunca temos soluções para a nossa vida, para os nossos interesses particulares, para as nossas dívidas, para a resolução de amores mal resolvidos…
Absurdos, porque acreditamos que ainda seremos um povo maior que a Alemanha, a França ou a Itália, por exemplo. Nunca poderemos ser o que sonhamos porque Portugal, já não está no séc. XVI, e já não é o “todo-poderoso” “Império Lusitano”. Vivemos na ilusão de um dia podermos ser melhores do que já somos. Mas aqui, é que todos se enganam. Nós somos bons! Melhores até que os ingleses, espanhóis, ou até mesmo os franceses ou italianos. Temos uma natural propensão para as línguas como poucos. Nós soubemos mais de navegação que qualquer outro país europeu. Sabemos hoje mais de ciência e de tecnologia, de música, de literatura, de saúde, de futebol…sabemos de Tudo.
Sabemos mais da vida dos outros, do que da nossa! Só podemos ser bons! É verdade! Sabemos muito mais do que nós próprios pensamos e muito mais do que aquilo que os outros pensam sobre o que nós pensamos que sabemos. Porque quando pensamos…somos os melhores.
E isso, é absurdo. A maneira como o Miguel Esteves Cardoso pensa sobre os portugueses, despertou aquilo que me fez rir, porque é verdade. Os portugueses não podem ter poder, não se lhes pode dar poder, nem o mínimo que seja, que automaticamente se tornam “monstros” como “carinhosamente” os chama, pelo facto de o poder dar às pessoas poder para serem autoritárias, quando na realidade, o poder é uma forma de dar responsabilidade(s). Somos assim absurdos com o poder porque vivemos demasiado tempo numa gaiola autoritária que sempre reprimiu os portugueses, principalmente, os mais pequenos e hoje com a Democracia não sabemos controlar um estado de ansiedade. Um estado de ansiedade chamado “Poder”. Somos absurdos até nisso, porque como já ouvi dizer:”Um grande poder, traz grandes responsabilidades” e temos de estar à altura delas, mas nós…ainda não estamos.
Temos sempre solução para tudo e em tudo, temos sempre a melhor solução para o mal da vida e das coisas que acontecem aos outros. Para nós…o caso muda de figura, somos sempre muito tristes, como o Fado! Somos tão absurdos, que mesmo tendo uma equipa de futebol, com grandes futebolistas e com treinadores respeitáveis, lá tem de o “português absurdo” comprar de vez em quando, um árbitro que esteja em saldo, um fiscal de vez em quando, um…qualquer coisa de vez em quando.
Temos o defeito de copiar na escola e deixarem que copiem e depois mais tarde temos a mania de “comprar”, é como um tique! Toma lá, dá cá…
Sabemos muitas das vezes que somos culpados por aquilo que nos acontece, porque não pensamos a longo prazo, é sempre o desenrasca e o, ”logo se vê”.
Depois damo-nos mal, como sempre. Podemos até não ir presos pelo mal que fizemos mas ficamos marcados. Sabemos que muitas das vezes até temos jeito para fazer as coisas bem, mas “portuga” que é “portuga”…”logo vê!”.Deixo um recado ao País absurdo: “Não pensem que são absurdos, como ofensa, e nem pensem que são absurdos porque alguém disse que são. Acreditem que são melhores, porque realmente são melhores, e acreditem que podem ser melhores, porque em tudo, o sonho, faz parte da vida”."

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

Balanço da vida...2006

É quase Natal, é tempo das prendas para os miúdos, é tempo de ver o dinheiro voar da carteira dos pais, é tempo de estarmos junto daqueles que mais gostamos. É a altura de fazermos um balanço do ano. Os prós e contras de 2006. Eu direi que o meu balanço até agora foi..."positivinho". "Positivinho", por uma razão. Porque podia ser muito melhor e só não foi, por minha e única responsabilidade.
Consequências de ser um "terrible enfant"!
Os prós deste ano foram e são muito especiais porque mudaram a minha vida, para melhor, fizeram-me crescer quer pessoalmente quer profissionalmente. A minha Mónica, a madrinha, que é uma mulher fantástica, com quem aprendi muito sobre a vida, e vai ficar sempre no meu coração. Depois tenho de agradecer a dois amigos que me ajudaram muito em tudo, ao Miguel e ao Paraíso, que a nível pessoal e profissional sempre estiveram a meu lado. À malta de Carcavelos, que sempre se mostraram grandes companheiros, e tenho-os como irmãos. À Susaninha, uma amiga fantástica, pra tudo! (Ainda vais ter de me explicar isso das..."madeixas cheias de truques" lol) Para terminar, tenho de falar de duas pessoas que este ano foram vitais para acabarem "positivinho". Uma é a minha irmã, que 2 anos depois de estar longe de "moi", aproximámo-nos muito e isso deixa-me contente e sei que agora podemos contar sempre um com o outro, no que for preciso. A outra pessoa tem um agradecimento profissional e humano também, porque as pessoas são feitas de carne e osso e tem sentimentos e por isso também merecem ser reconhecidas, quando merecem! Ao Luís Ferro, o meu formador da PT que foi excelente quer na abordagem ao formandos, na forma descontraída que nos recebeu e nos pôs "à vontadex", mas sempre mantendo a distância, mantendo sempre o profissionalismo que nos transmitia. A ele, um abraço e um obrigado. Falo da madrinha e não falo do padrinho, dizem vocês, e muito bem. E eu passo a explicar: O padrinho é uma figura carismática na minha vida, porque foi com ele que percebi que a vida pode ser levada com calma, sem excessos, sem euforia, sem...muito sal, nem sem demasiado açúcar. Padrinho, já me conheces há quase 14 anos para quê mais agradecimentos né! :p
Os contras...bem os contras...podia ter mais dinheiro e não tive, podia ter um emprego no meu ramo e não tenho, podia concretizar alguns projectos pessoais e não posso, queria ver os meus amigos mais vezes e não posso, queria escrever mais, mas não há nada no mundo, no País, na região, na localidade, na cidade, no bairro ou em casa que possa escrever, para vos dizer que os contras afinal, foram poucos. Mas como estou, como o país está, como os jovens estão...só vos posso dizer que este ano, foi..."positivinho". Bom Natal e Bom Ano Novo!!

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

É Natal, é Natal...

É verdade, o espírito natalício está a entrar no blog e nas casas dos portugueses (apesar de estarmos curtos de guito. Não é verdade meus amigos?!) enfim, o espírito está presente e isso é que interessa. Vim postar não para vos falar do consumismo, mas já falando, nem para dizer que o Pai Natal tal como o conhecemos de vermelho e bem-disposto, com aquela barriga de fazer inveja a qualquer jovem de 60 anos, foi uma invenção do refrigerante mais vendido do mundo (coca-cola). Vim mais falar-vos das pessoas, sim das pessoas. Das pessoas que nos lembramos nestas alturas, que são importantes para nós, pessoas de quem gostamos, pessoas que temos um carinho especial, pessoas que nos mostraram um caminho qualquer, pessoas que fizeram alguma coisa especial por nós, pessoas a quem nos damos, pessoas a quem nos confidenciamos...pessoas, apenas pessoas. Dizem que o Natal é uma época bonita, eu então, vou dizer 3 palavras que definem o Natal para mim. 1-Comida, 2-Consumismo, 3-Ilusão. Porquê? perguntam vocês.
Eu explico. A comida, porque é sempre todos os anos a mesma coisa, o bacalhau, o franguito (bem gordo), porque o perú meus amigos, tá caro! O consumismo, porquê? Porque...porque já nada é como antigamente! Antes o acto de comprar uma prenda tinha um significado especial para uma criança, talvez seja a parte de mim que cresceu e se tornou céptica, que já não está enfeitiçada pela magia natalícia, e por isso, já não é aquilo que me traz "um brilhozinho nos olhos" quando recebo uma prenda. 3- Sendo a extensão do segundo, mas não querendo repetir o que disse, a Ilusão para além de ser o deixar de acreditar em algo. O mundo não é perfeito, o Pai Natal não existe, e Jesus não vem à terra para nos salvar deste abismo profundo em que estamos. Por isso, Natal para mim, é lembrar-me dos amigos, telefonar-lhes, mandar um abraço, e beijinhos, e saberem que não me esqueci deles.

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Tenho saudades...

Tenho saudades do que deixei para trás, tenho saudades daquilo que tive, tenho saudades de estar com os amigos que deixei em Carcavelos. Já prometi, que ia visitá-los e quando puder, vou! Veremos se este mês que vem me libertam...Paraíso...Espanhol, meus amigos, get ready, set e vamos ao bar! lol Sinto saudades das conversas, das palhaçadas, dos km...é verdade!Dos km! Das dores, das paisagens, dos cheiros...
Tenho saudades da Mónica, tenho saudades das meninas, tenho saudades dos momentos em que nos juntavamos para orar, tenho saudades dos jantares, dos monumentos que vi, dos sons que ouvi, da línguas presentes em Santiago de Compostela, da aventura que foi, de subir e descer compulsivamente montanhas, lagos, e banhos no rio...
Saudades de tudo, tenho saudades, é verdade. São alturas como estas que mais nos lembramos na vida, que nos exaltam para a vida, para os amigos, para aquilo que nos importa verdadeiramente. As saudades existem e existirão sempre, e vocês, estarão sempre presentes no meu pensamento.
Irei ...brevemente.

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Na corda bamba...

Ontem, tive uma agradável conversa, com alguém que estimo muito e que me levou a escrever este mais recente post, sobre um assunto que os jovens pensam muito sobre as relações e as pessoas que estão à volta das relações.
Não vou falar sobre a conversa, porque é privada, mas vou traçar-vos as linhas em geral da conversa, porque quero que partilhar a conversa e transformá-la num debate de ideias e ver como se desenrola.
Estivemos a falar sobre como as pessoas que têm inveja da felicidade dos outros, são totalmente descontroláveis, psicológicamente, e são capazes de fazer qualquer pessoa enraivecida, porque não se consegue controlar face aos atropelos de conversas de mal-dicência sobre a pessoa com quem falei, prejudicada por outra pessoa. O que quero dizer é que a pessoa com quem conversei, foi prejudicada e quase que ia estragando uma relação, por causa de outra pessoa, porque pura e simplesmente não a queria ver feliz. Habitou-se a vê-la sem ninguém e achava que assim é que ela estava bem, e não deveria merecer a felicidade, como toda a gente merece. Claro que a minha primeira impressão sobre a outra pessoa, foi de repugnância e de total imcompreensão, do porquê de outra pessoa não puder ser feliz como os outros? Aí, compreendi um pormenor que me estava a falhar...a pessoa que não a quer ver feliz, só pode ser: Ou esquizofrénica, ou é uma pessoa cheia de falhas afectivas, e paternais e de poder ter aquilo que muitas vezes chamo de:"falha de sincronismo!" Coitada não tem culpa. Mas o que pudemos nós fazer para a ajudarmos, sem que essa pessoa nos estrague a cabeça primeiro? Para esta questão tenho duas respostas:
1ª-Vai se curar para um manicómio(Júlio de Matos)
´2ª-Ou então vai se socorrer junto a um psicólogo ou psiquiatra, para resolver a questão da personalidade.
Não estou a julgar, nem faço gozo da pessoa em questão, mas acho que a paciência tem limites, para tudo!!

Para terminar, desejo que a pessoa que falou comigo, não se esqueça...:"O amor não se afirma, prova-se..."

domingo, 19 de novembro de 2006

Uma questão de...

Lembro de me dizerem que podemos ser felizes, sem o tal "amor", vivendo apenas da amizade e de traçarmos objectivos profissionais, principais na nossa vida quotidiana. Eu digo-vos 2 coisas. Uma, é possível viver sem esse tal "amor", vivendo apenas das amizades e para as amizades. E segunda, nunca percam a vontade de sempre que puderem, agarrar esse "amor" que tanto anseiam. A vida é feita de pequenos nadas, e se dermos um novo significado à frase, quer dizer apenas, que podemos fazer da vida o que queremos, iniciando todos os dias, momentos de pequenos nadas, em que nos enchem de orgulho, de prazer e satisfação com os amigos, com a profissão, mas melhor que tudo, com um grande "amor". Vocês já tiveram um grande amor? Eu, já tive. Foi o melhor e o pior que eu tive, mas foi maravilhoso, dentro daquilo que pude ter. Segui em frente com a minha vida. E vocês? "Qual é o Vosso próximo passo?"